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19 de Outubro de 2017
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    Auditoria do PanAmericano reage a críticas

    Conselho Federal De Contabilidade
    há 7 anos

    contabilidade: Segundo sócio, há mais atores envolvidos no processo. "A Deloitte vai responder pelo que lhe couber".

    Por Fernando Torres - De São Paulo

    No olho do furacão desde a semana passada, quando foi anunciada a existência de um rombo de R$ 2,5 bilhões no Banco PanAmericano, a firma de auditoria Deloitte, responsável pela checagem dos números do balanço da instituição, afirma que o problema identificado no banco é mais complexo do que parece. Por isso, entende que não pode ser apontada como a única responsável pelo caso. "Estamos numa ponta dessa cadeia. A Deloitte vai responder pelo que lhe couber", diz Maurício Pires Resende, sócio de auditoria e responsável por assuntos regulatórios da Deloitte.

    Sem poder comentar os detalhes do caso ou da investigação em curso, por dever de confidencialidade com o cliente, a Deloitte diz que outros atores desse processo, que não apenas a auditoria, também tem suas responsabilidades.

    A diretoria da companhia é a responsável pela elaboração do balanço, preparado pela área de contabilidade da empresa, e que tem como base os dados dos sistemas internos de controle. Feito isso, no caso do PanAmericano, além da auditoria externa da Deloitte, ainda havia o crivo da auditoria interna, do conselho fiscal, do comitê de auditoria e do conselho de administração. A regulação cabe ao Banco Central.

    A Deloitte diz que se baseou nos sistemas de controle do banco para fazer o seu trabalho e que partiu do pressuposto de que a administração colocou todas as informações à sua disposição. "Os procedimentos de auditoria que tinham que ter sido feitos naquele momento foram feitos", afirma Resende, quando perguntado se a firma havia feito testes para checar com os compradores das carteiras de crédito do banco confirmavam as transações.

    De acordo com ele, a auditoria não tinha condições de fazer o mesmo cruzamento de dados que o Banco Central fez. "Nossa condição de varrer tudo isso é menor", afirma o executivo.

    A Deloitte foi informada da existência do problema nas contas do PanAmericano numa reunião no dia 9 de novembro, com presença de representantes da própria instituição financeira, do Fundo Garantidor de Crédito e do Banco Central.

    "Não tínhamos ciência de que teria uma deficiência de controle nessa magnitude. Fomos pegos de surpresa", disse, acrescentando que o balanço do terceiro trimestre vinha sendo preparado normalmente pela administração do banco até então.

    Apesar de admitir que a repercussão do caso é internacional, Resende diz que a firma não perdeu nenhum cliente como consequência do ocorrido e que tem tido total apoio da rede internacional que forma a Deloitte. Aqui no Brasil, um comitê integrado por ele, pelo presidente da empresa e por sócios experientes está tratando do episódio. "Vamos fazer todo o possível para recuperar nossa imagem, que é a coisa mais preciosa que temos e que realmente está arranhada", disse.

    O sócio da auditoria afirmou ainda que os honorários continuam sendo pagos normalmente, que não tem nenhuma informação sobre a anunciada contratação da PricewaterhouseCoopers e que até agora não foi oficialmente informada sobre uma ação judicial que estaria sendo movida pelos controladores do banco.

    Resende disse ainda que a equipe da Deloitte que trabalha no PanAmericano foi reforçada e que a firma está colaborando tanto com as investigações como com a preparação dos números do balanço do terceiro trimestre, que ainda não tem prazo para sair. (Colaborou Nelson Niero)

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